Normas ISO 14598 / 9126 Definir os Requisitos de Avaliação


O objetivo da avaliação da qualidade de software consiste em apoiar o desenvolvimento e a aquisição de software, de forma a garantir o cumprimento das necessidades do utilizador e do cliente. O objetivo final é assegurar que o produto satisfaz as necessidades explícitas e implícitas das diversas categorias de utilizadores - operadores, destinatários da informação ou técnicos de manutenção – fornecendo, desta forma, a qualidade requerida.




Aquando da aquisição de um produto de software, é necessário que o comprador estabeleça um conjunto de requisitos de qualidade externa, sendo a avaliação desses requisitos usada para comparar produtos alternativos e assegurar que o produto selecionado atende aos requisitos de qualidade.

Quando se trata do desenvolvimento de uma aplicação, o objetivo da definição dos requisitos de qualidade, é o de assegurar que esta cumpre todas as necessidades explícitas e implícitas do utilizador. Durante o processo de desenvolvimento, a avaliação deve ser usada para prever e verificar a qualidade, especificando requisitos de qualidade interna para os produtos intermédios no processo de desenvolvimento.

Sendo que o objetivo é a obtenção da qualidade necessária e suficiente para satisfazer as necessidades dos utilizadores, é necessária a compreensão detalhada dessas necessidades, constituindo-se estas como parte dos requisitos da aplicação.

A Norma ISO 8402 define qualidade como a “totalidade de características de uma entidade que lhe confere a capacidade de satisfazer as necessidades explícitas e implícitas”.

Necessidades explícitas, são as expressas na definição dos requisitos propostos pelo produtor e onde se incluem as condições em que o produto deve ser utilizado, seus objetivos, funções e desempenho esperado. As necessidades implícitas são aquelas que, apesar de não expressas nos requisitos, são essenciais para o utilizador.

Neste último tipo de necessidades, estão englobados requisitos óbvios, mas também requisitos que não são percebidos como necessários no momento em que o produto foi desenvolvido, mas que pela sua criticidade devem ser considerados.

De acordo com a Norma 14598-1, os objetivos da avaliação da qualidade dos produtos intermédios podem ser:
Decidir quanto à aceitação de um produto intermédio desenvolvido por um subcontratado;
  • Decidir sobre a finalização do processo de desenvolvimento;
  • Prever a qualidade do produto final;
  • Recolher informação sobre o comportamento de produtos intermédios com o objetivo de gerir o processo de desenvolvimento;
Já quanto aos objetivos para a avaliação dos produtos finais, estes podem ser:
  • Decidir quanto à aceitação do produto;
  • Comparar produtos competidores;
  • Selecionar entre produtos alternativos;
  • Analisar os efeitos, positivos ou negativos, da utilização de um produto;
  • Decidir sobre a necessidade de upgrade ou substituição.
Para conseguir atingir estes objetivos o processo de avaliação deve ter como característica, ser repetível, reprodutível, imparcial e objetivo)

O tipo de produto de software – produto final ou intermédio – a ser avaliado, dependerá do estágio no ciclo de vida e dos objetivos da avaliação. A finalidade é que, quando o produto for usado, cumpra com as necessidades dos utilizadores. A qualidade externa pode ser avaliada apenas para um sistema completo, sendo que, do ponto de vista das medidas externas, o software tem que ser avaliado como parte de um sistema em operação.

A primeira etapa, na avaliação de software, consiste em selecionar as características de qualidade relevantes. O modelo proposto na norma ISO/IEC 9126-1 decompõe a qualidade de software nas suas diferentes características, apresentando os atributos de qualidade organizados de acordo com uma estrutura em árvore hierárquica, com três níveis – características, sub-características e atributos.

A norma disponibiliza um modelo genérico de qualidade que define seis características de qualidade de software – funcionalidade, confiabilidade, utilização, eficiência, instalação/manutenção e portabilidade. Cada uma destas características encontra-se dividida em sub-características as quais possuem atributos mensuráveis (ver diagrama seguinte).





O efeito combinado das características de qualidade, numa situação particular de utilização, é definido como qualidade em uso, a qual deve permitir ao utilizadores atingir metas como a efetividade, produtividade, segurança e satisfação, num determinado contexto de uso.

Os requisitos de produtos de software expressam as necessidades dos utilizadores e devem ser definidos nas fases prévias do desenvolvimento – preferencialmente durante a especificação de requisitos. Se um produto de software se encontra dividido em componentes, os requisitos podem variar de acordo com o componente e requerer critérios de avaliação distintos. A definição das características e sub-características de qualidade é um passo prévio indispensável à avaliação de qualidade.

No âmbito do processo de construção do modelo de qualidade, cabe aos técnicos de desenvolvimento, em conjunto com os utilizadores, a identificação dos requisitos de qualidade interna do produto em causa, os quais devem, através do modelo de qualidade, estar relacionados com os requisitos de qualidade externa. Os requisitos internos são usados para verificar a qualidade dos produtos intermédios durante o desenvolvimento.

As sub-características podem ser medidas através de métricas internas e/ou externas, O modelo de qualidade, definido na Norma 9126-1, apresenta o desdobramento hierárquico dos dois primeiros níveis – características e sub-características – deixando o terceiro nível – atributos – ao critério do utilizador. Desta forma o utilizador, no âmbito do processo de definição do modelo de qualidade do projeto, deve elaborar o nível dos atributos, identificando aspetos relevantes do produto de software em causa, que se enquadrem nas características e sub-características selecionadas.

O modelo de qualidade, definido na Norma 9126­-1, privilegia a visão do utilizador que, em geral, atua a partir da operação do sistema, isto é, a visão relativa à qualidade externa. Porém o efeito externo percebido no uso do produto de software é decorrente de atributos internos, típicos da sua arquitetura.

A forma como, os atributos internos e externos se influenciam, para resultar na qualidade em uso, está expressa no ciclo de vida da qualidade, apresentado no diagrama seguinte.



O diagrama anterior mostra as relações de causalidade entre a qualidade dos processos – definida pelas normas ISO/IEC 12207, 15504 (SPICE) ou pelo CMMI – a qualidade do produto, e a qualidade apercebida pelos utilizadores.

O que se afirma é que, a qualidade dos processos contribuí para a melhoria da qualidade do produto a qual, por sua vez, contribui para a melhoria da qualidade em uso. De forma similar, a avaliação da qualidade em uso pode fornecer informação, que permite a melhoria do produto e esta, por sua vez disponibiliza informação que permite a melhoria dos processos.

Dependendo do estádio no ciclo de vida de desenvolvimento, altera-se a visão relativa à qualidade interna, externa ou em uso. Por exemplo, os requisitos de qualidade especificados no início do ciclo de vida estão, em grande medida, relacionados com a qualidade externa e com a visão que os utilizadores têm do sistema, o que difere substancialmente da qualidade intrínseca ao produto, a qual está mais relacionada com as características técnicas e de desenho. A tecnologia usada para a obtenção da qualidade deve ter em consideração esta diversidade de pontos de vista.

O diagrama seguinte mostra as diferentes visões da qualidade do produto e respetivas métricas, de acordo com a fase do ciclo de vida de desenvolvimento.

Necessidades de Qualidade do Utilizador – Estes requisitos devem ser usadas como critério para a validação do produto. Obter um produto que satisfaça as necessidades dos utilizadores normalmente requer uma metodologia de desenvolvimento de software interativo que garanta o retorno contínuo da perspetiva do utilizador.

Requisitos externos de qualidade – Incluem requisitos derivados das necessidades de qualidade dos utilizadores, sendo usados como objetivo para a validação das diferentes fases do desenvolvimento.

Requisitos internos de qualidade – Especificam o nível de qualidade interno ao produto e são usados para especificar as propriedades dos diversos produtos que constituem o sistema.

Qualidade Interna – representa a totalidade das características internas do produto, estando estreitamente ligada aos aspetos arquiteturais do sistema em desenvolvimento. É medida e avaliada, por comparação com os requisitos internos de qualidade. Baseado no conhecimento da qualidade interna é possível, em cada fase de desenvolvimento, prever ou estimar a qualidade externa.

Qualidade Externa – É a qualidade na execução do software, sendo tipicamente medida através das métricas externas, por meio de testes efetuados em ambiente e com dados simulados. Baseado no conhecimento da qualidade interna e da qualidade externa, pode estimar-se a qualidade em uso, para cada característica de qualidade e para cada fase de desenvolvimento.

Contudo, como a própria norma 9126-1 refere, a eficácia desta estimativa está ainda dependente do desenvolvimento das tecnologias apropriadas já que, o estado corrente da tecnologia não permite suportar a totalidade dos pressupostos, necessários a uma efectiva previsão. Nomeadamente, é necessário desenvolver tecnologia que permita demonstrar a correlação entre qualidade interna, externa e em uso.

Qualidade em uso – É a perceção de qualidade que o utilizador extrai da utilização do produto num determinado contexto de utilização. Mede o nível dos objetivos dos utilizadores, obtido através do uso do produto.

Em próximos artigos abordaremos as restantes atividades do processo de qualidade.

Comece por aqui para ler tudo sobre qualidade de software.

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