WEB 2.0 - O Conceito “2.0” na Web e nas Organizações


Desde o seu nascimento muitos autores entenderam que o conceito de Web 2.0 ia muito para além do plano tecnológico representando uma alteração do paradigma em termos da criação coletiva do conhecimento.

O termo Web 2.0 foi criado em 2004 por Tim O’Reilly e, nos últimos anos, tem sido crescentemente usado no contexto da gestão (Conhecimento 2.0, Processo de Decisão 2.0, Organização 2.0, Gestão do Conhecimento 2.0) refletindo o impacto cada vez maior do conceito nas organizações.
 

A Web 2.0 pode descrever-se como a combinação de novas tecnologias (Web Services, AJAX, RSS, Mahups), novos tipos de aplicações (software social como sejam as Wikis, Blogs e as redes sociais), novos modelos de interação e novos princípios organizacionais (colaboração e a descentralização da influência – Wisdom of Crowds) bem como novos modelos de negócio (Long Tail, Webtop, etc.).

O’Reilly, dois anos depois de ter criado o tema definiu a Web 2.0 como “a revolução na indústria dos computadores causada pela emergência da internet como uma plataforma e uma tentativa de compreender as regras para o sucesso nessa nova plataforma”. E acrescentou “A primeira dessas regras consiste na construção de aplicações que aproveitem o efeito de rede para melhorarem á medida que mais pessoas as usam.”

O conceito “2.0” agrega um conjunto de princípios que potenciam a participação ativa dos utilizadores individuais, colaborando, partilhando informação, criando comunidades e estabelecendo redes a uma escala nunca anteriormente atingida.

Com base nesses princípios desenvolveram-se um conjunto de ferramentas que, de forma gradual, estão a mudar o papel e as formas de interação tanto das organizações como dos utilizadores individuais. O modelo tradicional de transmissão de informação, no qual as organizações se constituíam como criadores da informação e os indivíduos como consumidores, está a convergir para um modelo colaborativo em que cada vez mais os indivíduos produzem conteúdos, recolhem informação personalizada e procedem á troca de conhecimento.
Essa troca de conhecimento assenta sobre três pilares fundamentais: Interação transversal entre pessoas com conhecimentos e interesses comuns; Ferramentas de publicação de conteúdos, simples e que podem ser usadas por quem desconhece a realidade tecnológica que lhes está subjacente; Existência e produção de conteúdos relevantes.

Tais atributos são coerentes com o modelo de aceitação de tecnologia (TAM) o qual sugere que os principais determinantes para o sucesso na adoção de uma tecnologia são a “perceção da facilidade de utilização”, a “perceção de utilidade” e a “intenção do utilizador ou a atitude de aceitação”.

Este novo modelo de participação tem implicações importantes nas competências individuais e nos modelos de negócio das organizações. Os indivíduos necessitam adquirir competências nas áreas da seleção, avaliação critica e redistribuição de conteúdos; as organizações têm de conseguir reagir a este acréscimo dos conteúdos gerados e disseminados de forma individual, adaptando-se às alterações que essa situação determina e aprendendo a lidar com os desafios que essa nova situação coloca.

As capacidades de relacionamento e criação de redes de contactos que estão subjacentes às tecnologias “2.0” terão um impacto significativo na natureza das relações humanas na medida em que, pela primeira vez os indivíduos têm condições de explorar de forma eficaz e com uma dimensão nunca antes possível aquilo a que Granovetter chamou de laços fracos[1].

Enquanto os laços fortes são regulares e estáveis, os laços fracos são casuais e servem de ponte entre diferentes periferias sociais, ajudando dessa forma a transmitir ideias inovadoras e novos conhecimentos entre pessoas em diferentes contextos e domínios.

Teoria defendida por Granovetter, que foi ao seu tempo considerada contra-intuitiva, permite hoje perceber a importância e os benefícios das redes sociais da internet. Segundo essa teoria, se procuramos inovação e novidade os nossos laços fracos, as nossas relações mais distantes, são onde devemos procurar em primeiro lugar (McAfee, 2010). No essencial esta ideia exprime a importância dos amigos dos nossos amigos.

A utilização das tecnologias Web 2.0 no contexto das organizações está na origem da criação, em 2006, do conceito Enterprise 2.0. O conceito emergiu do uso das tecnologias e aplicações da Web 2.0 nas organizações e das mudanças organizativas que acompanharam a inovação tecnológica. Sob esse conceito agrupa-se um conjunto de práticas de negócio que criam um ambiente colaborativo e interativo com o objetivo de permitir aos colaboradores, parceiros de negócio e clientes a produção e intercâmbio de conhecimento.

McAfee propõe o acrónimo SLATES (Search, Links, Authoring, Tags, Extensions, Signal)[2] como forma de diferenciar e classificar as diversas funcionalidades das tecnologias Web 2.0 e o seu potencial no contexto das organizações.

A capacidade de criação orgânica e descentralizada de estruturas organizacionais, que as tecnologias Web 2.0 potenciam, é uma poderosa e inovadora funcionalidade que diferencia as Organizações 2.0 das restantes. As plataformas tecnológicas da maioria das organizações foram construídas numa ótica centralizadora e estática da informação que disponibilizam.

O conceito de Organização Colaborativa 2.0, introduzido por Schafers em 2007, apesar de identificar alguns novos desenvolvimentos tecnológicos que potenciam novas formas de trabalho, não se centra na existência de novas tecnologias mas na forma como as pessoas usam a tecnologia para melhorar a forma como comunicam no contexto da organização e que, apesar do imenso potencial por explorar, estão a mudar de uma forma radical a forma de colaboração dentro das organizações.

As organizações que pretendam implementar o conceito 2.0 devem obedecer a duas regras práticas: 
  1. Garantir que as tecnologias e os sistemas que implementam são simples e fáceis de usar;
  2. Não impor aos utilizadores nenhum tipo de noções ou restrições sobre como devem proceder ou sobre como os resultados deve ser categorizado e estruturado. A tecnologia deve ser entendida como ferramentas através das quais essas estruturas e categorias emergirão naturalmente no decurso da utilização.


[1] A natureza das relações humanas foi explorada por Granovetter. Segundo ele os relacionamentos interpessoais em rede têm duas formas básicas; no centro da nossa rede de conhecimentos desenvolvemos laços fortes, baseados nos conhecimentos de trabalho, família e amigos e laços fracos que vão para além do nosso contexto direto, situam-se na periferia da nossa rede de relacionamentos estendendo-a para outros domínios.

[2] Search – A eficácia com que os utilizadores conseguem encontrar informação dispersa; Links – São importantes para a eficácia da procura na medida que fornecem uma estrutura orgânica para os conteúdos a qual é usada pelos motores de pesquisa; Authoring – Ferramentas que e potenciam a capacidade individual para criar conteúdos; Tags – Permitem criar um sistema descentralizado de categorização e validação dos conteúdos; Extensions – Permitem uma melhoria no resultado das pesquisas efectuadas; Signal – São tecnologias que permitem aos utilizadores agregar conteúdos de forma personalizada, juntando-lhe conhecimento próprio e criando novos conteúdos. 

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