PMBOK: Ferramentas e Técnicas - Modelos de Comunicação

A comunicação, enquanto processo, é indissociável do universo em que ocorre. Qualquer ato comunicativo está ligado ao todo, tudo está ligado com tudo. No entanto, para tornar a realidade compreensível, ou seja, para tornar compreensíveis os atos comunicativos, os teóricos têm desenvolvido vários modelos dos processos comunicacionais. Estes foram criados e têm como objetivo compreender e estudar a realidade comunicacional.

São vários os modelos de comunicação existentes. No artigo seguinte abordaremos dois desses modelos, a saber: 1) Modelos de base linear ou de informação e os; 2) Modelos de base cibernética ou circulares.


1) Modelos de Base Linear


Os modelos de base linear, são modelos que dissociam as funções do emissor e do receptor e apresentam a comunicação como sendo a transmissão de mensagens entre esses dois pontos e num único sentido. Existem vários modelos deste tipo, sendo os mais representativos os modelos lineares de Lasswell e o de Shannon e Weaver.

Segundo Lasswell uma forma de descrever um acto de comunicação é responder a cinco questões: Quem?; Diz o Quê?; Através de que meio?; A quem?; Com que efeito?

Segundo o modelo de comunicação de Lasswell a iniciativa de um acto de comunicação é sempre do emissor e os efeitos ocorrem unicamente no receptor devendo o estudo da comunicação centrar-se nas interrogações que fazem parte do seu modelo.

Este modelo é baseado nas seguintes três premissas fundamentais:
  • Os processos de comunicação são estritamente assimétricos, com um emissor ativo que produz o estímulo e uma massa passiva de destinatários que, ao ser “atingida” pelo estímulo reage.
  • O processo comunicativo é intencional e tem por objetivo obter um determinado efeito, observável e suscetível de ser avaliado.
  • Nos processos comunicativos, os papéis de comunicador e destinatário surgem isolados, independentes das relações sociais, situacionais e culturais em que estes se realizem1.
Este esquema linear apresentado por Lasswell é caracterizado:
  • Pela apresentação de um sujeito estimulador (quem?) Que gera estímulos provocando um conjunto de respostas no sujeito experimental (recetor); 
  • Por estímulos comunicativos (o quê?) que originam uma determinada conduta comunicativa;
  • Por instrumentos comunicativos, linguagens e suportes, métodos e técnicas que tornam possível a aplicação dos estímulos comunicativos (em que canal?), e;
  • Por um sujeito experimental (a quem?) que recebe esses estímulos e vai reagir de acordo com eles (efeitos).
As principais criticas ao modelo decorrem do facto de ser um modelo que apresenta a comunicação como algo linear quando na realidade o processo de comunicação é complexo, admitindo várias formas que extravasam essa aparente linearidade, sendo por isso um modelo redutor, já que não dá conta de questões que são fundamentais para a comunicação como sejam, por exemplo o feedback.

Um outro modelo de comunicação foi apresentado, em 1949, pelo matemático Claude Shannon e pelo engenheiro Warren Weaver. Trata-se de um modelo para o estudo da comunicação eletrónica que pode contudo ser aplicado ao estudo de outras formas de comunicação. De acordo com os autores o processo de comunicação eletrónica pode ser descrito graficamente da seguinte maneira:


A fonte de informação elabora e envia uma mensagem; a mensagem chega a um transmissor, que transforma a mensagem num sinal. O sinal pode estar sujeito a ruído (interferências). Por esta razão, o sinal emitido pode ser diferente do sinal captado pelo recetor. O recetor capta o sinal e fá-lo retornar à forma inicial da mensagem, de maneira a que esta possa ser percecionada e compreendida pelo recetor. Um exemplo prático da aplicação deste modelo acontece quando um jornalista lê o noticiário aos microfones de uma rádio. A mensagem é emitida por meios analógicos (a linguagem falada). Essa mensagem será transformada pelo microfone e pelo transmissor de rádio numa onda eletromagnética, o sinal. O sinal pode estar sujeito a interferências, isto é, a ruído. Um recetor de rádio, como os pequenos rádios domésticos a pilhas, capta esse sinal e converte-o, de novo, em ondas sonoras de forma a que a mensagem seja ouvida pelo recetor.

De acordo com o seu modelo, os autores identificaram três ordens de problemas no estudo da comunicação:

a) Problemas técnicos, ligados à precisão da transmissão dos sinais;
b) Problemas semânticos, ligados à precisão do significado pretendido para uma mensagem;
c) Problemas de eficácia, ligados à forma como o significado recebido influencia o comportamento do destinatário.

2) Modelos de Base Cibernética ou Circular


Os modelos cibernéticos são todos aqueles que integram a retroação ou feedback como elemento regulador da circularidade da informação. Na comunicação entre duas ou mais pessoas é o feedback que permite que a resposta se ajuste à pergunta do outro, não só nos aspetos linguísticos, mas também nos para-linguísticos. Em suma, na teoria da comunicação o feedback é o mecanismo que garante a eficácia da ação.

Incluem-se neste grupo de modelos os modelos de comunicação interpessoal os quais traduzem uma comunicação numa situação de interação face-a-face, consistindo em eventos de comunicação oral e direta; os modelos de comunicação de massas, aqui inseridos devido ao facto dos meios de comunicação de massa se basearem na retroação como elemento regulador da sua boa aceitação por parte do seu público e os modelos culturais e sócio-culturais, mais preocupados com a cultura de massas e as suas repercussões na sociedade, do propriamente com os meios de comunicação de massas, representando por isso uma conceção mais sociocultural. Os vários modelos deste subgrupo assentam numa característica fundamental a qual consiste no estudo da cultura de massa distinguindo os seus elementos antropológicos mais relevantes e a relação entre o consumidor e o objeto de consumo.


O artigo original, bastante mais extenso foi publicado no blog o Dom de Comunicar. Deixamos aqui o nossso agradecimento à autora Filomena Manços.

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