Um Elefante na Sala Chamado AGILE


Conhecem a expressão “Um elefante na sala”?

Diz-se sobre uma qualquer realidade perante a qual ninguém se atreve a falar. É algo que se impõe, que é evidente para todos, mas que todos optam por ignorar pensando que dessa forma conseguem evitá-la. O AGILE e a discussão em torno de quais os projetos em que podem ser geridos recorrendo ao AGILE é um pouco como um elefante na sala.

AGILE é um método de gestão que pode ser usado em praticamente todos os projetos e que, inclusive, pode ser usado com vantagens evidentes, em atividades operacionais e em muitas outras atividades e áreas das organizações, e esta realidade é um grande elefante na sala. Senão vejamos.



Aquilo a que chamamos de metodologias ágeis, ou AGILE, são de facto conjuntos de boas práticas que partilham entre si um conjunto comum de princípios, valores e práticas, mas que visam objetivos diversos. Por exemplo, o XP (Extreme Programing) é um conjunto de boas práticas, e uma forma de organização do trabalho, direcionada para a execução de produtos de software; o LEAN é um conjunto de boas práticas que tem como objetivo a introdução sucessiva de pequenas alterações aos processos de uma organização, com o intuito de conseguir uma melhoria continua da sua eficácia e eficiência; O KANBAN é uma forma de gestão da produção mais eficiente e que está na base dos processos just-in-time de organização da produção, e o; SCRUM é um ciclo de vida para a gestão ágil de projetos.

Os problemas relacionados com a eficiência da gestão de projetos são de há muito conhecidos, as causas estão, de há muito, identificadas, mas o que se constata é que os problemas persistem, e que os esforços realizados nos últimos 20 a 30 anos para diminuir a percentagem de projetos que não atingem os objetivos têm sido em grande medida infrutíferas.

Neste contexto muitas organizações veem nas metodologias ágeis a “bala de prata” que lhes permitirá resolver todos os problemas, quando deveriam centrar os seus esforços em melhorar a pontaria, isto é, identificar adequadamente e com precisão as causas que estão na base do insucesso dos projetos que promovem, e escolher a bala com o calibre mais adequado à especificidade da situação que enfrentam.


Os princípios orientadores do AGILE podem ser usados em qualquer parte. Assegurar que entregamos ao cliente exatamente o que ele pretende; Trabalhar em equipa, ou; Questionar, ser critico e querer compreender o porquê das coisas, são princípios benéficos em qualquer organização e que devem estar presentes em qualquer projeto.

Contudo os três princípios em que assenta o AGILE – Foco no cliente; Interação; Responsabilização - são mais difíceis de usar de forma generalizada em organizações com uma cultura muito hierarquizada, assente em processos e funções muito compartimentadas e resistente á mudança. Neste tipo de organizações o resultado mais provável da introdução de processos ágeis na gestão de projetos é um falhanço clamoroso que afastará o ágil do radar da organização por muitos e bons anos.

Assim, em vez de nos preocuparmos em saber para que tipo de projetos o AGILE é mais adequado, será melhor começarmos por questionar se a nossa organização está preparada para o AGILE.

Por hoje é tudo. 

Bons projetos,
 
Grp2ALL

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