Princípios e Tecnologias por detrás do Conceito WEB 2.0

A maioria das tecnologias de informação e comunicação atualmente usadas nas organizações podem ser agrupadas em duas categorias:

Canais – Tecnologia de e-mail e mensagens instantâneas a qual permite que a informação seja criada e distribuída por todos A produção é descentralizada e existe um baixo grau de significado comum.

Plataformas – Por exemplo a intranet, web corporativa e portais informativos, que em certa medida são tecnologias opostas às de canal, na medida em que o conteúdo é gerado ou, pelo menos, aprovado por um pequeno grupo de pessoas podendo depois ser visualizado por todos sendo a produção centralizada e o significado comum é elevado.

Estas tecnologias apresentam dois tipos de problemas.
Em primeiro lugar muitos utilizadores, e em especial os trabalhadores do conhecimento[1], consideram-nas pouco eficazes para o trabalho que realizam. Nos inquéritos efetuados, todos os trabalhadores do conhecimento usam e-mail, mas 26% consideram que o e-mail é usado de forma excessiva nas suas organizações, 21% sentem-se oprimidos pela quantidade de e-mails que recebem diariamente e 15% sentem que isso diminui a sua produtividade.  Em outro inquérito, efetuado pela Forrester Research, só 44% dos respondentes concordam com a afirmação de que é fácil encontrar os conteúdos de que necessitam na intranet da sua organização.

O segundo problema reside no facto de as tecnologias atualmente usadas pelos trabalhadores do conhecimento, não permitirem capturar o seu conhecimento de forma eficaz.

Quando se fala das tecnologias associadas à Web 2.0, com o intuito de as aplicar ao contexto organizacional, é importante começar por distinguir o que é tecnologia e o que são os princípios que a norteiam já que, só a compreensão destes últimos possibilita um conhecimento correto da forma como essas tecnologias podem ser usadas no interior das organizações.

Esses princípios são tão mais importantes quanto a Web 2.0 não tem contornos bem definidos, sendo um conceito que se desenvolve em torno de um centro gravitacional constituído por um conjunto de princípios com implicações nos mais variados aspetos da indústria da Internet e de aplicação diferenciada no contexto organizacional.

O primeiro, e mais central, desses princípios é o conceito de Web como uma plataforma. A Web deve ser entendida pelas organizações como um canal de comunicação. As aplicações 2.0 devem ser tratadas como canais de comunicação devendo as organizações que as desenvolvem preocupar-se em vender esse canal como um serviço através do qual as pessoas adquirem serviços;

O segundo princípio consiste em desenvolver serviços em vez de desenvolver aplicações. A inovação encontra-se na capacidade de agregação. Uma empresa pode desenvolver um determinado serviço estando o valor acrescentado para o cliente na possibilidade de criar um pacote em que o seu serviço se encontra agregado a serviços de terceiros.

Terceiro princípio e a participação ativa dos utilizadores. Com a Web 2.0 os utilizadores abandonam a postura passiva e passam a atuar de forma ativa acrescentando valor aos conteúdos. Claro que esta transição é difícil, será faseada e demorará tempo. Utilizadores meramente passivos deverão transformar-se gradualmente em utilizadores minimamente ativos (por exemplo utilizadores que catalogam com recurso a tags os conteúdos de terceiros) antes de se tornarem utilizadores ativos.

Em quarto lugar o princípio de que o serviço melhora de forma automática á medida que é aumenta a sua utilização. Ao contrário dos modelos tradicionais, em que o aumento da utilização tende a degradar a qualidade (constrangimentos de acesso, generalização/banalização das funcionalidades e caraterísticas), na web 2.0 os utilizadores são ativos e a sua participação, sendo parte integrante da arquitetura na qual os serviços se baseiam, acrescenta valor (Ex. Web Logs, Wikis, Tags, P2P).

O quinto princípio é o da inteligência coletiva. Este princípio está relacionado com termo “Long Tail”, definido por Chris Anderson em 2004 e conhecido como o modelo de negócio da internet. Com base na observação de que os negócios se concentram nos 20% dos produtos mais vendidos, deixando de fora os restantes 80%, Anderson refere que a significância coletiva desta “Long Tail” é enorme e não pode ser ignorada, defendendo que, no futuro, os negócios deverão ser configurados para, vender poucas quantidades num mercado muito diversificado de indivíduos e organizações.

O sexto princípio reside no foco no conteúdo. De forma a fornecer um serviço com valor acrescentado para o utilizador o serviço deve ser baseado em conteúdo, próprio e conteúdo complementar de terceiros. A demonstração deste princípio está presente no modelo de pesquisa do Google, onde o valor adicionado se baseia na capacidade para indexar e atribuir graus de relevância a informação de terceiros.

O sétimo princípio é chamado de beta perpétuo. Na terminologia das tecnologias de informação e desenvolvimento, uma versão beta é uma versão próxima da final que é disponibilizada a um grupo restrito de utilizadores. Sendo a web 2.0 baseada em serviços, estes são desenvolvidos como módulos relativamente pequenos e estão em permanente atualização.

E, por fim, como oitavo princípio, uma experiência de utilização enriquecedora. O software é desenvolvido em pequenos módulos orientados para a facilidade e a criação de uma experiencia agradável de utilização. Para esse efeito são usados protocolos e ambientes de desenvolvimento adequados (SOAP, AJAX, etc.).

Assentes nos princípios acima referidos, o quadro abaixo apresenta o conjunto de ferramentas que são habitualmente conotadas com a web 2.0.

Ferramentas
Descrição
Classificação (McAfee, 2006)
Blogs (Web Logs)
São jornais ou diários online. Oferecem a capacidade de arquivar conteúdos que são colocados por data. Permitindo a introdução de comentários aos conteúdos colocados, facilitam e aceleram o processo de comunicação.
Authoring
Wiki
É essencialmente um sítio web completamente editável. Um dos benefícios mais óbvios é a simplicidade com que permitem a elaboração colaborativa de conteúdos, permitindo enriquecer o conhecimento individual através da interação em grupo.
Authoring
RSS (Really Simple Syndication)
É um formato para entrega regular de alterações dos conteúdos web. Resolve um problema para pessoas que usam a web de forma regular e que pretendem estar atualizadas em relação ao conteúdo de determinados sítios, permitindo poupar tempo, dado que deixa de ser necessário visitar cada sitio individualmente, assegura a privacidade porque não é necessário subscrever o e-mail ou a newsletter de cada um dos sítios.
Signal
SN (Social Networking)
É uma comunidade online especialmente vocacionada para o relacionamento entre pessoas. Existem múltiplas comunidades online umas de âmbito profissional outras que promovem o mero relacionamento social.
Extensions
Web Services
São sistemas de software que facilitam a comunicação automática de dados entre sistemas com a intenção de transferir informação ou de efectuar transacções. Por exemplo uma instituição financeira pode disponibilizar um “web-service” que permite a aplicações externas calcular a taxa de juro dos produtos de crédito que a instituição oferece.
Authoring
Collective Inteligence
Refere-se a qualquer sistema que visa explorar o conhecimento de um grupo para o processo de tomada de decisão. Incluem-se neste grupo as tecnologias que permitem a publicação colaborativa de conteúdos e as bases de dados para partilha de conhecimento.
Extensions
Peer-to-peer Networking (P2P)
É uma técnica que permite a partilha eficiente de ficheiros entre utilizadores. Ao contrário do método tradicional de guardar o ficheiro numa determinada máquina. O P2P distribui os ficheiros por diversas máquinas, podendo a extracção ser feita segmentando o ficheiro em blocos e extraindo os blocos de máquinas diferentes.
Extensions
Podcasts
É o equivalente multimédia do blog.
Authoring
Mashups
São agregações de conteúdos de diferentes fontes online com o intuito de criar um novo serviço. Um exemplo pode ser um programa que extrai os apartamentos para venda de um determinado sítio da internet e os publica no Google maps.
Extensions
Tags (Folksonomy)
Esquema de classificação social. Ao contrário dos métodos de classificação tradicionais, em que é aplicado um esquema de classificação predefinido (taxonomia), os conteúdos web 2.0 oferecem a possibilidade de classificação aberta e subjetiva que pode ser usado por qualquer pessoa. O sistema de classificação emerge á medida que aumenta o número de participantes na classificação e os conteúdos classificados (folksonomy).
Tags



[1] O termo “trabalhadores do conhecimento” foi criado em 1959 por Peter Drucker para definir aqueles que usam como instrumento de trabalho a informação ou têm como objetivo principal do seu trabalho a criação e o desenvolvimento de conhecimento. Toffler (1990) refere que o típico trabalhador de conhecimento deve ter ao seu dispor um sistema que lhe permita criar, processar e melhorar o seu próprio conhecimento e, em alguns casos, o conhecimento dos que com eles trabalham.

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